segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Para tudo!! Transplante Fecal???

 

Médicos defendem transplante fecal contra superbactéria


Publicado em 12-12-2011

A ideia pode fazer virar o estômago de muita gente, mas o transplante de bolo fecal de uma pessoa para outra pode ajudar a salvar vidas. Alguns médicos estão usando o procedimento para ajudar a repovoar intestinos com bactérias benéficas, que podem desaparecer após algumas enfermidades. Essas bactérias benéficas ajudam a flora intestinal a combater infecções como as causadas pela suberbactéria Clostridium difficile, altamente resistente a antibióticos.

Alisdair MacConnachie, que acredita ser o único médico na Grã-Bretanha a fazer esse tipo de transplante, diz que a eficácia do tratamento é comprovada, mas que ele deve ser usado apenas como último recurso.
A lógica é simples. A infecção por C.difficile pode ser provocada pelo uso de antibióticos, que matam bactérias no intestino. Isso dá às bactérias C.difficile sobreviventes espaço para se reproduzir amplamente e produzir grandes quantidades de toxinas que podem levar à diarreia e provocar a morte. A solução mais óbvia, a ingestão de mais antibióticos, nem sempre funciona e alguns pacientes desenvolvem infecções crônicas. A teoria é que ao adicionar mais bactérias ao intestino, elas competirão com a C.difficile e controlarão a infecção.

Tubo pelo nariz

MacConnachie, do Gratnavel General Hospital, de Glasgow, já realizou mais de 20 operações desse tipo desde 2003. "Somente um dos pacientes que eu tratei não conseguiu se livrar da C.difficile", disse.
Se os tratamentos normais não funcionam, o paciente recebe antibióticos até a noite antes da operação, quando os remédios são trocados por outros para controlar a acidez do estômago. Na manhã da operação, o doador vai ao hospital e produz uma amostra. Normalmente, um parente é usado, preferencialmente alguém que vive com o paciente, porque viver no mesmo ambiente e comer a mesma comida significa que é mais provável que eles tenham bactérias da flora intestinal semelhantes.
Cerca de 30 gramas da matéria fecal é tomada e misturada em um liquidificador com um pouco de água salgada. Isso depois é filtrado para deixar apenas um líquido. MacConnachie insere um tubo pelo nariz do pacidente até seu estômago. Outros médicos usam diferentes caminhos para chegar ao intestino. Cerca de 30 mililitros do líquido são então inserido pelo tubo.

Preconceito

"Minha visão pessoal é de que esta técnica está aí para pacientes que tentaram todos os tratamentos tradicionais", disse MacConnachie.

"Se um paciente não responde a isso e tem infecção crônica por
C.difficile, então está em apuros e não há realmente nenhuma outra técnica ou tratamento com a eficácia provada que tem o transplante fecal", observa. Para ele, o preconceito impede que mais gente se beneficie do tratamento. "É uma técnica publicada (em publicações científicas). Acho que as pessoas têm medo", diz.

"Parece nojento, é nojento, e eu acho que as pessoas provavelmente têm medo de chegar aos pacientes e discutir o assunto"
, avalia.


Este não é um problema enfrentado por Lawrence Brandt, gastroenterologista no Montefiore Medical Center, em Nova York.
Ele diz que recebe hoje entre dois e quatro e-mails diários de pessoas que querem passar pelo transplante. Até hoje ele já fez a operação em 42 pacientes. E recorda sua primeira operação, em 1999: "A paciente me ligou seis horas após o transplante fecal e disse que não sabia o que eu havia feito ali, mas que ela se sentia melhor do que havia se sentido em seis meses. E de fato, ela nunca mais teve uma infecção por C.difficile", conta. Além de pacientes, ele diz que há mais médicos expressando interesse na técnica nos Estados Unidos. " Nos próximos seis meses ou um ano, isso será a coisa mais instigante que aconteceu à gastroenterologia. Isso vai certamente mudar a maneira como a C.difficile é tratada e outras doenças também", diz.

Síndrome do intestino irritável, diarreia e constipação também estão na lista de possíveis aplicações. "Isso parece ser uma abordagem incrível para uma grande variedade de doenças", ele diz.

Estudos

A prática foi relatada apenas em poucos estudos de casos no combate à infecção recorrente com C.difficile.Houve um índice de sucesso de cerca de 90%. Isso não é suficiente, porém,  para que a técnica seja adotada amplamente. O padrão para determinar se um tratamento funciona é um teste clínico randômico - tomar um grande grupo de pacientes e dar a uma parte o tratamento em análise e a outro um placebo ou tratamento diferente. Os dois grupos são então comparados para ver se o tratamento realmente faz uma diferença. Até que a técnica de transplante fecal seja analisada dessa maneira, será difícil que consiga uma aceitação ampla.
Fonte:http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultimas-noticias/bbc/2011/12/12/medicos-defendem-transplante-fecal-contra-superbacteria.jhtm
Pesquisando mais sobre esse assunto achei a publicação abaixo no site da Sociedade Brasileira de Diabetes.

Link:http://www.diabetes.org.br/colunistas-da-sbd/debates/1506
OBS.:Publicação sem data.

Transplante fecal melhora a sensibilidade à insulina 

Técnica inédita confirma o papel potencial da microbiota intestinal nos distúrbios glicêmicos e no metabolismo lipídico em obesos. Não se assuste. É isso mesmo que você leu acima: pacientes obesos e com pré-diabetes melhoram a sensibilidade à insulina depois de transplante fecal com material obtido de doadores magros e saudáveis.

Estudos animais já haviam confirmado uma associação entre a obesidade e a microbiota intestinal: animais que receberam bactérias de fezes de camundongos obesos apresentaram um aumento significativamente maior da gordura corpórea total do que aqueles colonizados com a microbiota de camundongos magros. Esse estudo promoveu grande interesse e intenso debate sobre sua aplicabilidade prática depois de sua apresentação no recente Congresso Europeu de Diabetes, realizado em Estocolmo. Foi um estudo piloto, randomizado e controlado, avaliando o efeito do transplante de fezes para o controle de disfunções metabólicas importantes no homem.

Foram incluídos 18 pacientes do sexo masculino com obesidade e síndrome metabólica que não estavam sendo medicados para essas condições e que não tinham utilizado antibióticos durante os últimos 3 meses. Todos os pacientes passaram por uma biópsia jejunal e por uma lavagem intestinal para eliminar sua própria floral intestinal nativa. Eles foram então randomizados para receber transplante alogênico de fezes de um doador magro ou então transplante autólogo.

O material fecal transplantado foi analisado quanto à presença de parasitas e da bactéria Clostridium difficile e a testes sanguíneos que confirmaram a ausência de várias infecções, incluindo HIV. Os excrementos eram coletados das fezes eliminadas pela manhã e introduzidos nos pacientes através de um tubo duodenal.

Os pesquisadores não encontraram alterações no peso entre os dois grupos após 6 semanas. Apesar disso, houve melhoras consideráveis na sensibilidade à insulina, depois de 6 semanas, no grupo que recebeu fezes de doadores magros em comparação com os pacientes que recebeu transplante autólogo de fezes.

Os níveis de triglicérides foram significativamente reduzidos no grupo tratado, mas retornaram ao normal após 12 semanas.  Não houve alterações na dieta e no nível de atividade física dos pacientes que pudesse explicar a melhora na sensibilidade à insulina.

Embora essa abordagem inovadora tenha seus méritos indiscutíveis, sua aplicabilidade tanto em novos estudos clínicos como na realidade da prática clínica diária é altamente improvável. Você seria capaz de recomendar esse procedimento a um de seus pacientes?


Fonte: Vrieze A. et al. “Metabolic effects of transplanting gut microbiota from lean donors to subjects with metabolic syndrome”. European Association for the Study of Diabetes – EASD 2010; Abstract 90.



Dr. Augusto Pimazoni NettoCoordenador dos Grupos de Educação e Controle do Diabetes do Hospital do Rim e Hipertensão da Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP e do Centro de Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz

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