sábado, 25 de agosto de 2012

Para que serve a Educação em Saúde?



Pode-se afirmar que a educação é o principal instrumento de continuidade da vida humana, pois permite que a vida, a memória e a cultura de um determinado grupo continuem mesmo depois da morte dos indivíduos deste grupo social (MOREIRA, 2002: 120). 

Inicialmente, deve-se compreender que educar é diferente de informar. Informar é meramente dar respostas referentes a questionamentos, contudo educar envolve fatores subjetivos de modo a envolver o indivíduo. 

Educar, para que? Para mim, agregar conhecimento, formar ideologias e novos ideais, enxergar situações de modo mais amplo, ampliar visão crítica, formar cidadãos críticos, adquirir e exercer autonomia de modo que as pessoas assumam sua parcela de responsabilidade social. Além disso, a educação é um meio de inserção social, traz o indivíduo ao convívio e às realidades sociais. Assim como, capacita ao convívio social e ao adestramento das regras sociais, tais como exercer deveres de cidadania que permeiam o respeito às leis impostas para manutenção da ordem.


Pensar em educação, nos remete a refletir sobre o seu propósito e o modo de fazê-lo. Não há como dissociar o método de educar dos seus objetivos, portanto faz-se necessário racionalizar como deve ser feita a abordagem. Na minha concepção, não é qualquer um que pode assumir o papel de educador, pois para exercer esse trabalho requer troca, porém não são todos os indivíduos que estão aptos para tal, pois há quem mantenha uma postura unilateral. Eis ai um grande erro. Apenas ofertar informação não quer dizer exercer o papel de educador, pois pode-se incitar posturas rígidas e aversão a moralização, quando se condiciona comportamento. Porque a depender de como as informações são cedidas, as pessoas podem recebê-las como uma receita pronta de como devem agir e se comportar e não um estímulo para construírem por si próprias meios para tomarem decisões e adquirirem a capacidade de agirem por si, tendo autonomia. Quando você informa, automaticamente incita a racionalidade. A questão é estimular a autonomia dos indivíduos!


O educador deve permitir a troca de conhecimento com os educandos, valorizando os aspectos que os cercam como a cultura na qual estão inseridos, além de percepções e poder econômico, estimulando a visão crítica para que possam analisar por si só as condições em que vivem, seus hábitos e situações que interferem direta ou indiretamente na sua qualidade de vida. É imprescindível que não tente simplificar ou ignorar contradições sociais que está entre fatores determinantes e condicionantes de saúde, compreendendo que querer não é sinônimo de poder em alguns casos, sem considerar as limitações do indivíduo. 

As pessoas devem ser educadas de modo a aprenderem a avaliar e atuar na realidade, para que possam satisfazer suas próprias necessidades e desejos, tendo autonomia para cuidarem de si e de seus dependentes. O propósito de saberem cuidar de si, interfere na questão da responsabilidade social. Desenvolvendo suas competências em conciliar de modo harmônico a construção do seu bens estar, visando melhorias contínuas na qualidade de vida de forma individual e consequentemente no bem estar da coletividade. Tendo em vista que a educação é um instrumento que tem papel fundamental na manutenção da ordem social, pois foca na obediência a padrões, incluindo estéticos e de saúde, disciplina, esforço em corresponder expectativas pré-definidas. Exemplo disso, todos precisamos usar roupas independente de estilo. Vivemos numa sociedade em que precisamos usar peças, independente da quantidade de panos, que escondam nas mulheres, os seios e as genitálias no caso de ambos os gêneros.

Portanto, Educação em Saúde não significa 'amansar' o indivíduo e trazê-lo a realidade social de modo que partindo de atitudes próprias com autonomia possa mudar sua condição de saúde individual e coletiva, incentivando sua visão crítica para que exerça seu papel de cidadão com responsabilidade social.

Nenhum comentário:

Postar um comentário