terça-feira, 5 de junho de 2012

Imunização: Funcionamento de Rede de Frio

Rede de frio ou Cadeia de Frio

Segundo o Ministério da Saúde (2001), A Rede de Frio ou Cadeia de Frio é o processo de armazenamento, conservação, manipulação, distribuição e transporte dos imunobiológicos do Programa Nacional de Imunizações, e deve ter as condições adequadas de refrigeração, desde o laboratório produtor até o momento em que a vacina é administrada.

Como funciona

Se estende nos 3 níveis de atenção à saúde, então:

À nível central - O Ministério da Saúde é o responsável pela aquisição, confecção e distribuição dos imunobiológicos, assim como pela elaboração e discussão do calendário vacinal, estratégias de bloqueio e campanhas.

À nível regional (estados da União) -  Sua responsabilidade compreende o encaminhamento de materiais e imunobiológicos a seus municípios, definidos em cotas com base no número de nascidos vivos e na elaboração de estatísticas utilizadas para a sala de imunização.

À nível local (municípios) - Responsável pela implementação do calendário vacinal proposta, armazenamento dos imunobiológicos recebidos de acordo com a cota preestabelecida, elaboração de estratégias, vigilância epidemiológica, bloqueio e operacionalização do Programa Nacional de Imunização.

Composição da Cadeia de Frio

LABORATÓRIO PRODUTOR ---> CÂMARA FRIA (Instância Nacional) --->Caixa Térmica (transporte) ---> CÂMARA FRIA (Instância Estadual) Freezers ---> Caixa Térmica (transporte) ---> CÂMARA FRIA (Instância Regional) - Geladeira Comercial/Geladeira/Freezer ---> Caixa Térmica (transporte) --> Instância local - Geladeira/Caixa Térmica ---> Vacinação



Mas se houver falha nesse processo, cabe ao enfermeiro implementar estratégias no seu ambiente de trabalho. Todo o  controle é feito através de termômetros. Os imunobiológicos dever ser acondicionados em temperatura +2°C e +8°C, esta temperatura é preconizada pelo MS para garantir a qualidade dos produtos no interior das geladeiras e dentro das caixas térmicas.

Lembrar que a temperatura do equipamento deve ser verificada duas vezes ao dia, ao chegar ao trabalho e ao findar das atividades e a cada verificação anotar os valores no mapa de temperatura, que deve estar afixado à porta da geladeira.

São utilizados:
  • Termômetro de máxima e mínima - utilizado entre a primeira e segunda prateleira e no centro da grade para não comprometer a temperatura do refrigerador.
  • Termômetro Linear 
  • Termômetro de cabo extensor 

Durante o funcionamento da sala de vacina, deve-se utilizar caixas térmicas ou de isopor para o acondicionamento das vacinas. Sendo que a caixa utilizada deve estar em condições adequadas de uso, de modo que o profissional deve limpá-la e secá-la. A higienização deve ser feita com uso de álcool a 70%, no inicio e no final do turno de trabalho. Deve-se observar  a vedação da caixa, evitando assim a alteração de temperatura para a conservação de vacinas. Quanto às paredes da caixa, não deve haver qualquer rachadura ou dano.

O ideal é ter 4 caixas e de cores diferentes para facilitar a operacionalização do setor. 

Caixa térmica

Caixa térmica

No inicio de cada turno, retirar 4 bobinas de gelo reciclável ou gelox e deixá-las em cima da tampa da  caixa térmica, por 15 minutos. Colocar cada bobina de gelo reciclável nas extremidades da caixa térmica /isopor por 15 minutos. Após esse período fora do congelador, as bobinas deverão ser secadas e arrumadas na caixa térmica/isopor. Colocar um termômetro  do modelo linear e depois disso, mantê-la fechada por um período de 20 minutos. Ao fim desse tempo, deve-se checar se a temperatura está entre +2°C e +8°C. Somente após a confirmação dessa temperatura, os imunobiológicos podem ser condicionados  na caixa térmica/isopor. Depois de utilizado, o termômetro deve ser guardado na porta da geladeira.                                                    


Atenção às bobinas, pois em regiões muito quentes, atenção às bobinas quando estiverem 'suando' muito na caixa. Elas devem ser trocadas!

É imprescindível conhecer como se deve armazenar os imunobiológicos na sala de vacina da unidade de saúde, para isso o uso de geladeira exclusiva e com organização como predetermina o Ministério da Saúde é fundamental, para a conservação do material. Portanto, essas geladeiras devem permanecer constantemente ligadas e devem estar ligadas a tomadas com saída para um gerador, porque se houver falta de luz ou oscilação na corrente elétrica não comprometerá a qualidade dos imunobiológicos. Porém, se faltar energia, a temperatura interna da geladeira poderá ser mantida por até 8 horas, sem perda dos imunobiológicos armazenados. É imprescindível que se houver queda de energia, o fato seja registrado no mapa  de temperatura em observação.

Se a geladeira apresentar defeitos, chamar um técnico imediatamente!

Caso o problema exceda por mais de 4 horas e a depender da condição climática local por mais de 6 horas, deve-se acondicionar os imunobiológicos em caixas térmicas até a transferência para outra geladeira em um local próximo ao serviço de saúde ou outro local estabelecido pela Secretaria de Saúde. Porém, esse prazo só deve ser levado em conta se a geladeira estiver em conformidade com as exigências do MS, tais como:
  • Antes de apresentar o defeito estar funcionando em perfeitas condições;
  • A  borracha da porta deve estar vedando adequadamente;
  • A geladeira dispõe de termômetro de máxima e mínima;
  • Controle diário da temperatura da geladeira;
  • Presença de bobina de gelo reciclável;
  • Presença de garrafas de água para conservação de temperatura na última gaveta.
Cuidados básicos para usar a geladeira que otimizam a sala de vacina e garantem a proposta de imunizar a comunidade com eficácia:
  • A geladeira deve estar instalada em local arejado, distante de fonte de calor;
  • Deve estar afastada em 20 centímetros da parede;
  • Local onde for colocada a geladeira deve ser nivelado;
  • O ambiente onde ficar a geladeira deve ser climatizado e fora de incidência de luz solar;
  • Deve-se manter um aviso em local de fácil visibilidade um alerta sobre não colocar alimentos ou bebidas na geladeira de vacinas;
  • É preciso informar que a geladeira não deve ser aberta fora do horário de retirada ou de guardar as vacinas;
  • Na base da geladeira deve haver um suporte com rodas;
  • Deve-se ter uma tomada exclusiva para a geladeira;
  • A leitura da temperatura deve ser feita diariamente antes do  inicio das atividades na sala de vacina e também no final da jornada de trabalho. As anotações devem ser feitas no formulário de controle diário de temperatura;
  • Não se deve armazenar nada na porta da geladeira;
  • Evita colocar objetos que dificultem a circulação do ar em seu interior;
  • A vedação de borracha da porta deve estar funcionando adequadamente;
  • Limpeza e degelo deve ser realizada a cada 15 dias ou quando a camada de gelo estiver com espessura maior que 0,5 cm;
  • Lavar a geladeira com água e sabão neutro ou álcool à 70% (sem encharcar);
  • O mapa de temperatura deve ser afixado na porta da geladeira.

Quanto à organização da geladeira da sala de vacina

CONGELADOR: Colocar somente bobinas de gelo reciclável na posição vertical. Esta norma contribui para a elevação lenta da temperatura, oferecendo proteção aos imunobiológicos na falta de energia elétrica ou defeito do equipamento.

PORTA: Não colocar nenhum produto, nem mesmo imunobiológicos.

PRIMEIRA PRATELEIRA: Armazenar as vacinas virais que podem ser submetidas à temperatura negativa (contra poliomielite, sarampo, febre amarela, tríplice viral, dupla viral) empilhadas nas próprias embalagens (caixas), tendo-se o cuidado de deixar um espaço entre as pilhas, permitindo a circulação de ar entre as caixas. Importante também o uso de bandeja perfurada. Obs.: considerando que a instância regional e/ou estadual possui freezers para armazenamento de vacinas à temperatura de -20ºC, esta prateleira pode, com os devidos cuidados, ser utilizada para as vacinas conservadas em temperatura entre +2ºC e +8ºC.

É preciso dispor essas vacinas afastadas, no mínimo 15cm (quinze centímetros) da parede de fundo da geladeira (na parede de fundo da primeira prateleira está localizado o ponto mais frio desta geladeira). Deve-se ter também o cuidado de deixar um espaço entre as pilhas permitindo a circulação de ar entre as caixas.

SEGUNDA PRATELEIRA: devem ser armazenadas as vacinas que não podem ser submetidas à temperatura negativa (dT, DTP, Hepatite B, Hib, influenza, TT, BCG, Pneumococo, pólio inativada, DTaP, rotavírus, meningocócica, pneumocócica) e portanto devem ser armazenadas em temperatura a +2ºC, empilhadas nas próprias embalagens (caixas), tendo-se o cuidado de deixar um espaço entre as pilhas permitindo a circulação de ar entre as caixas; No centro desta prateleira, deve-se colocar termômetro de máxima e mínima na posição vertical (em pé);

TERCEIRA PRATELEIRA: pode-se colocar caixas com diluentes, soros ou caixas com as vacinas de conservação a +2ºC, empilhadas nas próprias embalagens (caixas), tendo-se o cuidado de deixar um espaço entre as pilhas, permitindo a circulação de ar entre as caixas;

COMPARTIMENTO INFERIOR: deve-se manter no mínimo 30 garrafas com água colorida à base de iodo ou corante. Esse procedimento é importante porque contribui para a manutenção da temperatura interna a +2ºC e para que na falta de energia elétrica ou defeito do equipamento a elevação da temperatura interna seja mais lenta;


Quanto às vacinas:
  • Importante ter controle de horário de diluição, ou seja, de reconstituição das vacinas para garantir sua eficácia;
  • Atentar quanto à validade das vacinas após reconstituição, estas deverão ser devidamente protegidas por seringa e agulha descartáveis;
  • Em caso de alerta aos imunobiológicos sob suspeita - nas situações de emergência, a instância imediata superior da Rede de Frio é informada sobre os detalhes da intercorrência. Nesses casos a Secretaria Estadual de Saúde informa ao PNI; 
  • Em caso de permanência dos imunobiológicos fora da temperatura recomendada ou apresentarem alteração no aspecto químico/físico e até mesmo provocarem eventos adversos graves devem ser considerados sob suspeita, então em alguns casos devem ser submetidos a processos de análise ou a reteste.
OBS.: Descarte de imunobiológico sob suspeita, reutilização ou envio para reteste são decisões a serem adotadas em conjunto e nunca isoladamente. E a instância local, onde houver a intercorrência deve informar o fato ao distrito ou à regional de saúde, que discutirá e definirá com a instância estadual e esta com o PNI, qual conduta deve ser adotada.

Todo imunobiológico sob suspeita deve ser notificado imediatamente à instância superior através do preenchimento do formulário para Avaliação de Imunobiológicos sob suspeita, o qual deve ser envido pela Coordenação Estadual do PNI à Coordenação Geral do Programa Nacional de Imunizações. Que avaliará a situação de suspeita recomendando ou não o reteste, que é um processo bastante caro ou então, será indicada a autorização para uso ou descarte desse imunobiológico.

Quais as providências adotadas ao colocar um imunobiológico sob suspeita?
  • Suspender seu uso de imediato e mantê-lo sob refrigeração adequada;
  • Registrar no formulário de  Avaliação de Imunobiológicos sob Suspeita: Número do lote, quantidade, prazo de validade do lote, apresentação, laboratório produtor, local e condições de armazenamento. Assim como, descrever o problema identificado e a alteração de temperatura verificada, também a ocorrência de alterações anteriores e outras informações sobre o momento da detecção do problema.
  • Contatar a instância da Rede de Frio imediatamente superior e discutir qual destino dar a este imunobiológico. Se for o caso, aguardar os resultados de reanálise e orientação para uso ou descarte deste produto.




ACESSO AO MANUAL DE REDE DE FRIO



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