sexta-feira, 11 de maio de 2012

Blefaroespasmo ou Tremor Involuntário Ocular





Você já sentiu aquela tremidinha na pálpebra? 

Esse espasmo involuntário na pálpebra, geralmente dura segundos, além de ser indolor e imperceptível aos outros. É bem comum, ser sentido em momentos de estresse e ansiedade. Há quem apresente esse tremor de modo mais incômodo, quando o olho pisca sem parar. Há casos em que o indivíduo fica impossibilitado de enxergar.


*Blefaro é derivado de palavra grega "pálpebra"


É considerada uma distonia, que é o termo usado para descrever uma doença em que espasmos musculares involuntários ocorrem, levando a modificação da postura. Acredita-se que os espasmos musculares e alterações que eles causam, são devido à uma disfunção em uma região do cérebro chamada núcleos da base. Eles estão situados na base do cérebro, agindo como sofisticado computador que controla os movimentos musculares. Quando os núcleos da base estão comprometidos, músculos errados se contraem quando tentamos movimenta-los, causando espasmos. Pacientes portadores de blefaroespasmo essencial geralmente consultam inúmeros especialistas de maneira desesperada, na procura de diagnóstico e tratamento. Muitos já tentaram diversos tipos de tratamento, como hipnose, terapia de relaxamento, acumpuntura, homeopatia, ervas e etc Todos sem resultados. Devido a essa situação bastante desagradável e dificuldade no diagnóstico desta doença rara, o estado emocional dos pacientes se altera, induzindo os médicos, erroneamente, ao diagnóstico de origem psicogênica, encaminhando os pacientes a psicólogos e psiquiatras. (Dr. Marcos Cunha) Fonte: Excimer


De modo que algumas pessoas evitam exposição, abstendo-se da vida social e acabam entrando num processo depressivo. O espasmo palpebral isolado refere-se ao blefaroespasmo essencial ou benigno, que é uma alteração bilateral idiopática caracterizada por repetidas contrações involuntárias do músculo orbicular do olho (SOARES et al, 1997). E ainda, segundo Henderson (1956), uma distonia focal caracterizada por contrações involuntárias, espasmódicas e bilaterais dos músculos orbicular da pálpebra (porção orbital e palpebral pré-septal e pré-tarsal), corrugador, pró­cerus e depressor do supercílio. Inicialmente, na maioria dos casos, apenas um lado é afetado com espasmos fracos e duram menos de um minuto, mas tendem com o passar do tempo a afetar ambos os olhos e aumentar duração e intensidade. É possível crer que trata-se de uma doença psicossomática




Primeiro, para que serve a pálpebra? " Elas desempenham duas funções principais, a proteção do globo ocular e secreção, distribuição e drenagem da lágrima. As fibras do músculo orbicular formam um anel ao redor da abertura palpebral e sua contração leva ao fechamento da mesma. A abertura palpebral é realizada principalmente pelo músculo elevador da pálpebra superior, embora ainda existam túnicas fibrosas que agem na retração da pálpebra inferior. músculo elevador se origina no ápice da órbita, cursa anteriormente sobre o músculo reto superior e insere-se na placa tarsal e na pele da pálpebra superior. As pálpebras são firmemente aderidas às margens da órbita pelos ligamentos palpebrais medial e lateral.O movimento de piscar distribui a lágrima através da córnea, o que mantém uma superfície lisa, além de promover a retirada de debris. O reflexo palpebral do piscar é também um importante fator de proteção." Fonte: Oftalmologia USP



Esses espasmos podem ser precipitados por leitura, estresse ou luz intensa e aliviado com conversas, caminhadas e relaxamento (Kanski, 2004). Sendo assim, o cansaço às vistas provocado pelo excesso de leitura e até mesmo o excesso de exposição à luz, como por exemplo, a luz da tela do computador, além do estresse vivenciado podem ocasionar esses tremores, que muitas vezes tornam-se irritantes. Sendo necessário uma busca por equilíbrio,  partindo da organização da rotina de estudos e de trabalho a fim de reduzir esse problema. Contudo, a agitação vivenciada na rotina e o estresse inerente ao cotidiano, onde as pessoas são obrigadas a enfrentar situações desagradáveis que as tornam vulneráveis ao estresse, buscar capacitação constantemente a fim de uma melhor qualidade de vida e colocação profissional. Assim como não é possível se abster da execução das tarefas diárias, é muito difícil reduzir o ritmo de vida, abrindo mão das ferramentas básicas dispostas, como o livro e o computador e livrar-se do enfrentamento das diversas problemáticas. Embora, seja de extrema importância para o bem-estar, a definição de momentos de relaxamento, como a  adesão ao lazer, a terapias, a questão de disposição de tempo torna-se um dilema.


Baseado nos registros da Clínica Mayo, Henderson (1956) descreve o tratamento oferecido aos pacientes na primeira metade do século XX. Diversas medicações foram utilizadas de forma empírica, a exemplo de antiparkinsonianos, hipnóticos e anfetaminas, com resultados pouco duradouros e acompanhados por diversos efeitos colaterais. Além disso, alguns pacientes foram submetidos a sessões de psicoterapia, sem resultados práticos. Os procedimentos cirúrgicos se limitavam a injeções de álcool, eletrocoagulação e ressecções cirúrgicas do nervo facial e músculo orbicular. 

Lucci (2002), diz que o diagnóstico diferencial  das distonias faciais deve ser feito em relação aos quadros de:

  • Blefaroespasmo essencial benigno 
  • Síndrome de Meige (distonia orofacial) 
  • Síndrome de Brueghel (distonia oromandibular) 
  • Distonia craniana segmentar 
  • Blefaroespasmo secundário ou reflexo 
  • Espasmo hemifacial 
  • Doença de Parkinson 
  • Paresia supranuclear progressiva 
  • Doença de Huntington 
  • Apraxia da abertura das pálpebras 
  • Drogas (antipsicótico, antiemético, descongestionante nasal, levodopa) 
  • Doença de Wilson 
  • Mioquimia 
  • Tiques 
  • Histeria 
  • Regeneração anômala de nervo facial 
  • Tétano 
  • Discinesia tardia 
  • Encefalite 
  • Síndrome de Tourette
A autora supracitada também lista o Tratamento Fármaco:
  • Antipsicótico: fenotiazina, butiropenona, reserpina 
  • Droga de doença afetiva: carbonato de lítio, tetrabenazina 
  • Estimulante: sulfato de anfetamina 
  • Sedativo: fenobarbital 
  • Relaxante muscular: baclofen, orfenadrina, valium 
  • Parassimpaticomimético: lecitina, colina, fisostigmina 
  • Antimuscarínico: escopolamina, tintura de beladona 
  • Anticonvulsivante: clonazepan

Tratamento com toxina botulínica tipo A (Botox®). Essa  toxina é injetada diretamente nos músculos ao redor dos olhos, com o objetivo de relaxar a musculatura contraída. Os efeitos do medicamento podem ser observados no período de 3 a 5 dias após a aplicação. Fonte:ABPD Este tratamento é dito como seguro, eficaz e gera poucos efeitos colaterais.




REFERÊNCIAS


HENDERSON, J.W. Essential blepharospasm. Trans Am Ophthalmol Soc. 1956;54:453-520. 

KANSKI, J.J. Oftalmologia clínica: Uma abordagem sistemática. 5a. ed. São Paulo: Elsevier, 2004. p. 654-5.

LUCCI, L.M.D. Blefaroespasmo essencial benigno. Arq. Bras. Oftalmol.[online]. 2002, vol.65, n.5, pp. 585-589.

SOARES, E.J.C., MOURA, E.M., GONÇALVES, J.O.R. Cirurgia plástica ocular. São Paulo: Roca; 1997.

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