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domingo, 27 de janeiro de 2013

Pensando sobre aborto: opinião pessoal



Reflexão durante um estudo sobre aborto

Sou a favor da legalização do aborto no inicio da gestação, jamais em casos de gravidez avançada! A descriminalização ao menos, reduziria o quantitativo de mortes maternas causadas por abortos que são realizados na clandestinidade e que deixam muitas vezes sequelas irreversíveis, tais como infertilidade ou muitas vezes, morte. E tudo isso tem custo alto na saúde pública. Pois o dinheiro que deveria ser investido no planejamento de ações de saúde, segue para contemplar as despesas das internações de mulheres provenientes de aborto mal sucedido, com curetagens. Não é certo colocar filho no mundo para que outros criem ou que essas crianças sofram, passando necessidades extremas tais como fome, frio, desnutrição, dentre uma infinidade de patologias causadas pela falta de cuidados básicos. Muitas vezes, crianças vítimas de abandono vivem como meninos de rua ou que caem na marginalidade. Li muitas opiniões sobre esse assunto, pessoas que são radicalmente contra, dizem que a mulher 'deve ter o filho, já que engravidou', mas será que é fácil assim 'ter que'carregar uma vida contra vontade? Certo que existe uma diversidade de métodos, mas todo mundo tem conhecimento de que pode obter gratuitamente via SUS ou de como usá-los corretamente? Será que essa mulher vai amar essa criança como esse ser merece ser amado? E permitindo que nasça, o que fazer como esse bebê? A criança não desejada já nasce como um objeto, por si só já é desumano olhar 'alguém', seja quem for, desse modo, tal como um 'elefante branco'. Li muitos dizerem, "coloque num orfanato!" Será que essas instituições no nosso país conseguem comportar mais crianças carentes? Essa superlotação tem um custo e não é fácil arcar, razão pela qual muitas fecharam suas portas ou rejeitam mais órfãos. Será que esses acusadores já fizeram alguma doação financeira ou de roupa, comida, etc, por acaso? A mulher é coroada como uma vilã, mas por acaso a mulher fez filho sozinha? Muito fácil isentar a culpa masculina. É mais fácil ainda apontar o dedo quando os problemas não são nossos e nem daqueles a quem defendemos. Como dizem os mais velhos: "Pimenta no dos outros é refresco"Os direitos reprodutivos e direitos sexuais garantem escolhas e direitos à mulher, mas para que ela tenha autonomia quanto às suas escolhas, requer orientação. Infelizmente o Brasil é uma país com perfil paternalista e cheio de pessoas hipócritas, perdoem-me a sinceridade. Enquanto o problema é dos outros, ninguém liga, apenas dá 'pitaco' e nunca uma opinião bem analisada. Quanto à temática do aborto, o país ferve em meio a críticas da igreja e a indecisão de políticos que não conseguem se posicionar verdadeiramente, apenas pensam em manter a imagem diante de uma infinidade de mentes  mal orientadas, enquanto o problema só se agrava.  Fiz diversas pesquisas sobre essa temática e inclusive diversos trabalhos incluindo projeto de intervenção de pós em saúde pública com abordagem em prevenção. Acredito piamente que há uma necessidade extrema de expandir a prática de educação em saúde no contexto de sexualidade, estreitando laços entre família, escola e unidade de saúde. É imprescindível educar a menina antes mesmo do 1°ciclo menstrual e o menino no seu processo de desenvolvimento para a fase da adolescência, para que tenham auto-conhecimento e pratiquem o auto-cuidado. Conhecer tudo que permeia a sexualidade de acordo com a faixa etária e com uso de linguagem adequada, com auxílio de materiais educativos de fácil compreensão. Também, precisa-se valorizar e orientar a participação de pais/família/responsáveis nesse processo através de acolhimento contínuo. Pois muitas vezes, nem a família está preparada para lidar com essa situação, por não saber explicar os fenômenos psicológicos e fisiológicos, mesmo que já tenham passado por essa fase. Essa ideia de familiarização sobre questões sexuais, permite a consciência e sensibilização desses indivíduos e o fortalecimento de elos, que muitas vezes são desconectados na fase da adolescência pelo temor ou vergonha que adolescentes tem quanto suas dúvidas ou por adotarem ideias e ideais contraditório aos dos pais. A ideia de educar tem finalidade de reduzir a iniciação sexual precoce, que muitas vezes ocorre por curiosidade, além de pressa em estreitar laços com alguém por mera questão de evitar a solidão. Decorrente disso, acontecem gestações não planejadas e muitos optam pelo aborto por diversas razões (desde condições financeiras ou não querer/estar preparada para maternidade). O trabalho com educação tem baixo custo, o que facilita sua implantação. Porém requer profissionais capacitados para acolher pais e alunos, assim como a parceria das secretarias de educação e saúde, além de estimular a participação de graduandos no desenvolvimento do projeto (opção atrativa - certificados extra-curriculares). Exemplo disso, está nos resultados positivos em poucos meses de inserção de um projeto simples como esse, tal como a redução de índice de gestação em adolescentes matriculados em uma escola municipal, no interior da Bahia e o ânimo do corpo escolar e dos pais quanto aos resultados do projeto. São medidas simples de orientação e educação, antes mesmo do inicio da vida sexual, que podem reduzir os custos absurdos do nosso sistema de saúde com intervenções provenientes de abortos provocados que geralmente são executados na clandestinidade, e principalmente, reduzir o índice de mortalidade materna.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Mulher: Sexualidade, aborto e planejamento familiar


Segundo aponta o Ministério da Saúde através de estudos demográficos há uma crescente tendência de redução da faixa etária de inicio da vida sexual, em torno de treze anos, consequentemente reflete em altos índices de gravidez na adolescência (BRASIL, 2004). Creio que isso se deve de um despreparo da família em lidar com questões relacionadas à sexualidade, associada a falta de ações educativas por parte das escolas que também tem uma parcela de responsabilidade quanto à sexualidade, pois para muitos, no senso comum, julgam a escola como a segunda casa do aluno. Diversas são as justificativas de pais para não abordarem a temática com os filhos, tais como:

  • Não saber como abordar o assunto;
  • Crer que a escola tem obrigação de orientar sobre questões sexuais;
  • Religião;
  • Vergonha;
  • Despreparo e desconhecimento sobre sexualidade;
  • Dentre tantas outras razões.

Carvalho (2006) define a sexualidade como nada mais que conhecer a si mesmo e ainda acrescenta que dependendo da idade, a sexualidade deve ser encarada de diferentes formas, contudo não pode ser esquecida ou negligenciada, situações do cotidiano e orientações sutis podem estimular a discussão sobre o assunto, especialmente com as crianças, que não podem ser excluídas deste contexto.


O papel da escola no que concerne a sexualidade é de extrema importância, porém requer profissionais capacitados para abordar o assunto, sendo assim o método de comunicação é de extrema importância. O tipo de linguagem a ser utilizada deve estar de acordo com a compreensão do público alvo, deste modo é interessante que a abordagem de grupo seja feita com base na faixa etária. É válido propor oficinas, encontros onde os alunos possam debater o tema e sanar dúvidas, encenações sobre situações comuns na vivência da criança e adolescente voltada ao tema, possibilitar momentos individuais aos mais tímidos ou aos que não querem se expor em público, dentre outras atividades.

Existe uma alta incidência de gestação na adolescência por falta de um diálogo esclarecedor seja por parte da família, no âmbito escolar ou de saúde antes mesmo do inicio da vida sexual. Através das ações de promoção de saúde do PSF, pode-se abrir espaço para acolhimento pelo programa Planejamento Familiar. 


O planejamento familiar é um direito assegurado na Constituição Federal e na Lei n° 9.263, de 12 de janeiro de 1996, que regulamenta o Planejamento Familiar, e deve ser garantido pelo governo. Permite conhecimento dos métodos e possibilitando a livre escolha, incluindo nos princípios que regem essa política o direito ao acompanhamento clínico ginecológico, a orientações preventivas, fornecimento de métodos contraceptivos gratuitos e ações educativas para escolhas e atos conscientes sobre gestação (BRASIL, 2004). Esse programa possibilita, de acordo com as condições do casal ou indivíduos escolher o melhor momento para uma gestação, proporcionando assim uma integração familiar com fortalecimento desse elo. Assim como também, trabalha com foco na contracepção. Ainda há mitos e tabus, em pleno século XXI, inseridos no contexto da sexualidade que descaracterizam a mulher e a inibem de vivenciar sua sexualidade com a mesma liberdade que os homens exercem. 

As mulheres demandam um cuidado diferenciado visualizando seu contexto de vida e suas necessidades, baseado em ética a fim de promover assistência humanizada sem olhar crítico e preconceituoso, requerendo dos profissionais uma assistência que inspire respeito e compreendam as escolhas da mulher. Contudo, mesmo tendo o planejamento familiar à disposição como um direito garantido constitucionalmente, muitas não conhecem a cerca do mesmo. 

Uma das consequências de não planejar e não promover o autocuidado, é uma gravidez não planejada ou indesejada, além de contrair doenças sexualmente transmissíveis tal como SIDA/AIDS, HPV e outras. Todavia, o que está entre as principais causas de mortalidade entre mulheres é o aborto provocado, realizado em condições insalubres. 


A definição para aborto inseguro é a de um procedimento para terminar uma gravidez indesejada, realizado por indivíduos sem as habilidades necessárias e/ou em ambiente abaixo dos padrões médicos exigidos. Portanto, quando realizado em ambientes insalubres que oferecem riscos à mulher, a exemplo de infecções, que por diversas vezes resultam em consequências graves, tais como infertilidade ou morte (OMS, 2007). Exemplo recente disso, mais uma jovem de 17 anos, grávida de cinco meses, morreu após fazer um aborto em uma clínica clandestina em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense nesse mês de novembro (2012). Após passar pelo procedimento, a adolescente começou a passar mal e foi socorrida pela ex-sogra. A polícia investiga o caso e a família diz que não sabia nada sobre a gravidez. Ela foi levada para o Hospital Rocha Faria, em Campo Grande, zona oeste do Rio, onde ficou 12 dias internada e onde passou por uma cirurgia para retirada do feto, já morto e, devido à gravidade do caso, precisou também retirar o útero. A garota, no entanto, não resistiu. O atestado de óbito aponta como a causa de morte falência múltipla de órgãos provocada por se uma infecção generalizada (R7), sendo este mais um caso entre milhões.

É necessário analisar o perfil sócio-econômico e cultural das mulheres e as razões que as levaram a recorrer ao ato de abortar. A precariedade econômica e as dificuldades financeiras estão entre as razões principais que as levam à prática (CHUMPITAZ, 2003). As mulheres de baixa renda, vivendo nos estados com menos recursos, afro-descendentes e mestiças correm um risco maior de morte materna por causas evitáveis (CPI da MORTALIDADE MATERNA, 2001).

É preciso trabalhar com a temática sexualidade antes do inicio da vida sexual, para assim evitar situações como gravidez não planejada, aborto, doenças transmitidas por via sexual e outros problemas associados. Para tal, requer parceria entre família, escola e unidades de saúde, a fim de esclarecer quaisquer dúvidas, evitando assim os problemas supracitados em qualquer momento da vida desses indivíduos. Portanto, deve-se estimular ações de educação em saúde para elucidar questões referentes à sexualidade, sexo, planejamento familiar e outros assuntos associados a este contexto.


REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher: princípios e diretrizes / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. – Brasília, 2004.

CARVALHO, J. Sexualidade debatida dentro da escola. Paraná. 2006.

CHUMPITAZ, V. A. C. Percepções femininas sobre a participação do parceiro nas decisões reprodutivas e no aborto induzido. Dissertação de Mestrado em Ciências, na área da Saúde Pública, na Fundação Oswaldo Cruz. Rio de Janeiro, 2003.

CPI DA MORTALIDADE MATERNA. Relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre a incidência da mortalidade materna no Brasil, agosto de 2001. 

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. Unsafe abortion: Global and regional estimates of the incidence of unsafe abortion and associated mortality in 2003. Geneva: OMS, 2007.



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